Resiliência: o que é e como ajudar as crianças a desenvolvê-la?

05/04/2018

Não diz respeito à resistência física, mas a resistência e flexibilidade emocional para lidar e superar situações difíceis e de risco. 

O QUE É RESILIÊNCIA?

A palavra Resiliência vem do Latim: Resilire, que significa recusar, voltar atrás. Na Psicologia, significa voltar ao estado anterior. Em física Resiliência se refere a capacidade que um material tem em suportar grandes impactos de temperatura e pressão, se deformar ao extremo, mas pouco a pouco conseguir se recuperar e voltar à sua forma anterior.

Traduzindo para o campo da Psicologia e das Ciências Humanas, a Resiliência é a capacidade que uma pessoa tem de passar por uma situação de trauma, grande estresse, pressão se recuperar e superar de uma forma saudável e sair mais fortalecido depois do processo. Não diz respeito à resistência física, mas a resistência e flexibilidade emocional para lidar e superar situações difíceis e de risco.

Quando falamos em comportamento, resiliência significa a construção de novos caminhos a partir do enfrentamento de situações muito estressantes ou traumáticas.

Os estudos hoje apontam que múltiplos fatores promovem ou dificultam o desenvolvimento da Resiliência. Fatores genéticos, sociais, culturais e familiares são considerados importantes na promoção ou não dessa virtude.

Momentos traumáticos e difíceis de conviver e/ou superar não são experiências exclusivas da vida adulta, as crianças também absorvem e sofrem com a realidade à sua volta e, por isso, também estão suscetíveis a vivenciar esses momentos de dificuldade, dor e sofrimento. A maior diferença é a imaturidade delas em expressar as emoções e sentimentos que estão vivenciando.

Como a resiliência depende de múltiplos fatores e a grande maioria vem do contexto social, ela pode ser ensinada. Ela é algo que todos podemos desenvolver ao longo da vida. Algumas pessoas até conseguem desenvolvê-la sozinhas, quase que forjadas a ferro e fogo, e outras porque tiveram suporte e apoio dos pais. Uma rede de apoio familiar e social é sempre a melhor maneira a ajudar a desenvolver a resiliência nas crianças.


PORQUE AJUDAR O FILHOS NO DESENVOLVIMENTO DA RESILIÊNCIA?

Na educação que damos aos filhos é importante que lhes ensinemos a desenvolverem a resiliência através de condutas, do controle de pensamentos e de atitudes que eles possam aprender com o exemplo e orientação.

A resiliência é um dos indicativos de saúde emocional e mental, sendo assim, quando você ajuda seu filho a desenvolver essa capacidade, está contribuindo para ele se tornar um adulto mais equilibrado e saudável. Capaz de lidar melhor com as situações difíceis que a vida lhe apresentar.

Entretanto, não presuma que crianças e adultos resilientes não irão sofrer durante a vida. A dor, a tristeza e mesmo traumas emocionais estão fadados a surgir em determinados momentos para qualquer um. A diferença é que eles estarão mais preparados para enfrentar esses sentimentos com perseverança e senso do próprio valor.


ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DA RESILIÊNCIA

Administração das Emoções - habilidade em se manter sereno diante de um problema. Também se refere a capacidade de usar as pistas de forma a compreender melhor as pessoas.

Controle de Impulsos - não se deixar levar impulsivamente por uma emoção.

Otimismo - crença de que as coisas podem melhorar. Está relacionado com a esperança e convicção na capacidade de controlar o próprio destino.

Análise do Ambiente - capacidade de identificar as causas dos problemas, permitindo que a pessoa se coloque num lugar seguro. Se refere a capacidade de identificar quando é hora de falar e quando é hora de calar.

Empatia - significa a capacidade de compreender os estados psicológicos das outras pessoas (as emoções e sentimentos) e saber como agir.

Auto Eficácia - crença de ser capaz em resolver seus problemas.

Alcançar Pessoas - capacidade de se vincular a outras pessoas, sem receios e sem medo. É a capacidade de se entrosar com as outras pessoas, construir redes de apoio.


COMO AJUDAR OS FILHOS A DESENVOLVER A RESILIÊNCIA?

Além de dedicar tempo, carinho e sentimento de pertencimento aos seus filhos, algumas outras dicas podem ajudar a fomentar a resiliência nos pequenos.

Antes de tudo, preciso ressaltar que esse desenvolvimento é um processo importante e que se dará desde o nascimento até o fim da adolescência. E requer dedicação, como tudo que precisa ser estruturado e desenvolvido em uma criança.


1- Elogie esforços:

Garanta uma atmosfera em que as crianças sejam reconhecidas por seu trabalho duro e dedicação, não apenas pelo sucesso. Evite a palavra perfeito - diga "que desenho criativo, como você fez esse cachorro? Por que escolheu essas cores? Que bom, dá para ver que você se esforçou bastante", ao invés de um simples "está lindo". Reforce que falhar faz parte do aprendizado, ao invés de um motivo de vergonha. Ajude as crianças a refletir sobre suas produções, apontando do que gostaram em suas atividades e o que acreditam que pode ser melhorado.


2 - Construa a autoestima:

Não refaça o trabalho das crianças em busca de um resultado "perfeito". Por exemplo, se um dos alunos está feliz por pentear os cabelos sozinho, não apanhe a escova e o penteie novamente. Elogie a pró-atividade dele e deixe que use o cabelo como quiser! Do contrário, ele se sentirá incapaz de realizar a tarefa e irá, cada vez mais, duvidar de sua capacidade de se cuidar por conta própria.

A auto-estima esta ligada também ao valor e reconhecimento que temos de nós mesmos.


3- Ensine sobre o tempo das coisas:

Ajude a criança entender que tudo tem seu tempo de acontecer e que muitas vezes é necessário esperar. As coisas na vida muitas vezes não acontece da forma ou no tempo que gostaríamos, e saber e entender isso pode diminuir muito a ansiedade e contribuir para saber lidar com acontecimentos inesperados ou frustrantes da vida.
Você pode criar situações em que a criança aprenda isso ludicamente, por exemplo, fazendo um bolo juntos, pois tem que fazer, assar, esfriar e só depois comer, ou plantando uma horta e esperar florescer para colher.

4 - Fazer e ter amigos: 

Ensine e anime seus filhos a fazer e ter amigos. Paralelamente, desenvolva uma rede familiar forte para que as crianças se sintam amparadas e aceitas. Na escola, os pais e professores devem estar atentos ao fato de que nenhuma criança esteja isolada. As relações pessoais fortalecem a resiliência das crianças e lhes brinda com apoio social. 

5 - Ensinar as crianças a ajudar os outros: 

Ajude ao seu filho fazendo com ele ajude aos outros. Ajudar aos outros pode lhe permitir superar a sensação de que não podem fazer nada. Através de trabalhos voluntários apropriados à sua idade, assim como de pequenas tarefas as crianças se sentirão mais valorizadas. Na escola, os educadores podem exercitar pequenas iniciativas com a criação de maneiras de ajudar aos outros, como campanhas beneficentes, doação de sangue, etc.


6 - Manter uma rotina diária:

Ajude o seu filho a estabelecer uma rotina diária e a segui-la. O respeito à rotina é um sentimento reconfortante para as crianças, especialmente para os menores. Eles necessitam saber que estão cumprindo e fazendo bem suas tarefas. As rotinas também ajudam na organização psíquica.

Mas é importante ressaltar que elas não precisam ser rígidas, mudanças e imprevistos acontecem e fazem parte da vida. Ser flexível também é importante. A rotina á pra existir uma organização e para a ajudar a criança a se situar e ter noção dela no espaço.


7 - Ensinar a criança a se cuidar:  

É importante que todos nós cuidemos da nossa saúde, da nossa aparência, do nosso descanso. Isso deve ser inculcado nas crianças desde bem pequenas. Como exemplo podemos ensinar as crianças a se cuidarem, se amarem, fazendo esporte, brincando, comendo e dormindo bem, etc.


8 - Estimulem o autoconhecimento nas crianças:  

Há que ensinar à criança que com tudo se aprende e se cresce. Ajude com que o seu filho veja como o que está enfrentando pode ensinar-lhe a entender do que ele é feito e como esta se sentindo. 


9 - Aceitar que a mudança faz parte da vida:

As mudanças podem, com frequência, ser terríveis para as crianças e adolescentes. Ajude o seu filho a ver que a mudança faz parte da vida e que se pode substituir com novas metas àquelas que se tornaram inalcançáveis. Na escola, pode-se discutir como as mudanças tiveram impacto nas suas vidas.


10 - Estimule as tentativas e não desencoraje diante do fracasso:

Se uma criança tropeçou e caiu, se foi empurrada, se tentou subir em uma árvore e acabou no chão - assista, espere e deixe que ela aprenda a se levantar sem ajuda. Auxilie, não tomando controle da situação, mas conversando de modo a diminuir o susto. "Que legal, você estava subindo na árvore! Eu vi que você chegou bem perto, parabéns! Daqui a pouco, você tenta de novo. Agora, vamos limpar a terra e brincar com seus amigos?" é muito melhor do que "Eu avisei para não subir na árvore, não disse que ia se machucar?". Desde que essa espera não coloque em risco a criança. 


11 -Apresente modelos:

Leve histórias de heróis e heroínas que superaram adversidades e use a narrativa para iniciar discussões com a classe. Qual desafio o protagonista enfrentou? De quais habilidades precisou? Quais forças e fraquezas ele possuía? Outras pessoas ajudaram o herói - e de que maneira? O que ele aprendeu? Você já precisou usar essas habilidades na vida real? Alguém já te ajudou a fazer algo ou você ajudou alguém? Como? Incentive as crianças a dividir suas próprias histórias, tornando-se cientes de sua capacidade em resolver problemas.


O importante mesmo é compreender que é possível ser e ter uma postura mais saudável na vida, e que os pais tem um papel fundamental no desenvolvimento de seus filhos, em todos os aspectos. 

Estar atendo ao seu filho, escuta-lo, se interessar por aquilo que é importante para ele, não subestimar os sentimentos da criança são pontos fundamentais para qualquer desenvolvimento mais sadio.

E se você, está percebendo algum comportamento diferente no seu filho, ou alguma dificuldade em superar um trauma, situação difícil ou mudança, saiba que existem profissionais que podem te auxiliar a superar ou ajudar seu filho. Um psicólogo clínico, por exemplo, pode ajudar. Não hesite em buscar ajuda! 


Fonte de consulta: APA

Mãe, Psicóloga Clinica (adultos e crianças), Formada pela UNITAU. Especialização em Psicologia Analítica pela UNICAMP, Aprimoramento e extensão em Psicanálise pela SBPSP e Instituto Crescendo. Supervisora Clínica no Instituto Crescendo e particular, Palestrante e Idealizadora da Rede Mãe.

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